CURIOSIDADES DIVERSAS
"O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica. O pensamento positivo pode vir naturalmente para alguns, mas também pode ser aprendido e cultivado, mude seus pensamentos e você mudará seu mundo". Norman Vicent Peale

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

COMO A ÁRVORE QUE SE CURVA, MAS NÃO QUEBRA...

Na vida haveremos de encontrar muitas dificuldades.
O tamanho das dificuldades será medido conforme o tamanho da nossa fé.
Tenha fé em Deus, e seus problemas serão partidos ao meio,
porque Deus não é Aquele que fica nas alturas e apenas nos observa.
Deus é presença viva, ao nosso redor, dentro de nós...
No momento em que tomarnos consciência do nosso lado Divino, criados à imagem e semelhança de Deus, não há problema que não possa ser resolvido. Pois a força divina está conosco, envolvendo-nos, deixando claro que para Deus não há o impossível.
A nossa parceria com Deus é constante.
Deus é onipotente, Onipresente e Onisciente. E somente Ele é assim.
O inimigo nada poderá contra nós no momento da nossa certeza em Deus.
A fé transpassa montanhas, mares e afins são transponíveis através da fé em Deus!
Creia nisso e a verdade surgirá na sua frente e verá que é tão simples ser feliz.
E daí em diante não haverá barreiras
intransponíveis



O TEMPO PASSA E COM ELE...

O tempo passa e com ele os melhores momentos ficam na lembrança, o ontem no pensamento parece o hoje. Recordações são para sempre, por isso façamos do agora um grande momento para termos na memória o melhor!
saibamos cuidar da alma tão bem quanto do nosso corpo.
Pois um dia, quem sobreviverá ao corpo será a alma e se ela não estiver tão cuidada?
O que teremos nós para visualizar na eternidade?
São coisas para serem avaliadas e revistas.
Tanto zelo com o corpo, e com a alma? Vamos alimentá-la saudavelmente para que tenhamos ótimos resultados a curto e longo prazo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O PODER CÓSMICO DA MENTE - Josep Murphy


Realmente um livro muito bom, gostoso de ser lido e traz um grande aprendizado contido em suas páginas.
A força do pensamento, da nossa mente, é poderosa. Ainda mais quando estamos em sintonia 
com o nosso Criador que é Deus.
O poder de cura das doenças está também em nós. Temos o nosso lado divino, nossa alma.
Ela é imortal, dada a nós por Deus, ela tem poder enquanto em vida também.
Sincronizar corpo, coração, mente e alma não é tão simples, exige de nós força de vontade, determinação, fé, consciência da força extraordinária que nos move e principalmente a entrega da nossa vida a Deus.
Isso tudo eu tenho vivenciado no meu dia-a-dia, 
tentando sempre harmonizar o conjunto de corpo e alma especialmente, para obter resultados sempre positivos em relação às minhas dores.
Posso afirmar com certeza que adianta e muito usar 
esse poder de vida que circunda nosso ser.

Eliane Kilian


domingo, 5 de fevereiro de 2012

SOBRE O LIVRO "RUMO À CULTURA" - LOUIS RIBOULET

Rumo à Cultura (título original em francês: Conseils sur le Travail Intellectuel, aux étudiants et aux jeunes maîtres. — em uma tradução livre: Conselhos sobre o Trabalho Intelectual, aos estudantes e aos jovens mestres.) é considerada a principal obra do pedagogo francêsLouis Riboulet e é um tratado sobre quais os meios, segundo o autor, que os jovens estudantes podem seguir, sob uma perspectivafilosófica e religiosa, para alcançar o conhecimento da Verdade e o entendimento sobre a natureza de Deus.
A primeira edição desta obra foi em 1928, publicada pela editora Librairie Catholique Emmanuel Vitte. Foi traduzida em língua portuguesapor Maurice Teisseire e Antônio da Fraga e publicada pela Editora Globo, em 1946.

Cquote1.svg Rumo à Cultura, encanta pela pedagogia ali exposta; pedagogia para educação do corpo e da alma, principalmente desta última. Trata-se de um livro voltado para a educação espiritual, ministrando aos jovens o verdadeiro caminho da felicidade. É um compêndio escrito para a mocidade. Tem ele um conteúdo especial: ensina a aquisição da Cultura Intelectual, indicando os passo certos e a disciplina de como alcançar essa finalidade. Obra escrita para essa riqueza humana, indicando quais as boas leituras e, de conseqüência, o seu aprendizado. Não há livro melhor para educar o espírito, como, também, destinado à educação sadia dos sentimentos.
Cquote2.svg
—Jurandyr Navarr

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA: saberes necessários à prática educativa. Paulo Freire.

Introdução
Na introdução do livro ,Freire, esclarece o público alvo (docentes formados ou em formação), insistindo que formar um(a) aluno(a) é muito mais que treinar e depositar conhecimentos simplesmente e, ainda que, para formação, necessitamos de ética e coerência que precisam estar vivas e presentes em nossa prática educativa, pois esta faz parte de nossa responsabilidade como agentes pedagógicos. Ele fala da esperança e do otimismo necessários para mudanças e da necessidade de nunca se acomodar, pois "somos seres condicionados, mas não determinados". Paulo Freire apresenta três temas básicos para construir a Pedagogia da Autonomia, que leva à formação para vida, são eles: a) não há docência sem discência; b) ensinar não é transferir conhecimento e; c) ensinar é uma especificidade humana. O tema central da obra é “a formação docente ao lado da reflexão sobre a prática educativa progressiva em favor da autonomia do ser dos educandos”.
1°. Não há docência sem discência- “dosdicência”
Freire aponta que existem diferentes tipos de educadores: críticos, progressistas e conservadores, mas, apesar destas diferenças, todos necessitam de saberes comuns tais como:
• conseguir dosar a relação teoria/prática; • criar possibilidades para o(a) aluno(a) produzir ou construir conhecimentos, ao invés de simplesmente transferir os mesmos; • reconhecer que ao ensinar, se está aprendendo; e não desenvolver um ensino de "depósito bancário", onde apenas se injetam conhecimentos (informações) nos alunos! Saber “despertar no aluno a curiosidade, a busca do conhecimento, a necessidade de aprender de forma crítica”.
Destaca a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa, pois sem ela a teoria pode ir virando apenas discurso; e a prática, ativismo e reprodução alienada. Quando diz que não há docência sem discência, quer dizer que: quem ensina ‘aprende o ensinar’, e quem aprende ‘ensina o aprender’, sendo este posicionamento muito importante para o autor.
Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Desse modo, deixa claro que o ensino não depende exclusivamente do professor, assim como aprendizagem não é algo apenas de aluno, as duas atividades se explicam e se complementam; os participantes são sujeitos e não objetos um do outro.
Aprendendo socialmente h e mulheres descobriram que é possível ensinar
Procura também mostrar que a teoria deve ser coerente com a prática do professor, que passa a ser um modelo e influenciador de seus educandos: não seria convincente falar para os alunos que o alcoolismo faz mal à saúde e tomar bebidas alcoólicas, deve-se ter “raiva” da bebida, pois a emoção é o que move as atitudes dos cidadãos. Várias vezes, o autor fala da “justa raiva” que tem um papel altamente formador na educação. Uma raiva que protesta contra injustiças, contra a deslealdade, contra a exploração e a violência. Podemos definir esta “justa raiva” como aquele desconforto que sentimos mediante os quadros descritos acima. 1.1 Ensinar exige rigorosidade metódica.
O educador comprometido com sua proposta de educação deve afirmar a rigorosidade do método com o qual trabalha, tendo clareza em seus objetivos e com um discurso que não pode ser diferente da prática. A educação democrática não pode usar o método transferidor, não pode limitar o ensino à transferência de conteúdos verificada na definição de educação bancária. Uma das principais obrigações é o ensinar a pensar certo o que não quer dizer que o ensinado vai ser o que o professor tem como certo, como sua verdade, mas sim, dialogar sobre essas possíveis verdades. Tanto educador quanto educando devem ser sujeitos na construção do conhecimento. “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. Educador e educando devem negar a passividade, o “depósito” de conteúdos em um “recipiente vazio”. Educar é substantivamente formar.
Só quem pensa certo, mesmo que as vezes pense errado, é quem pode ensinar a pensar certo. Uma das condições para isto é não estarmos demasiados certos de nossas certezas.
1.2 Ensinar exige pesquisa. De acordo com Paulo Freire, não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. O professor tem que ser pesquisador. Faz parte da natureza da prática docente a indagação, a busca, a pesquisa. É preciso pesquisar para se conhecer o que ainda não se conhece e comunicar ou anunciar novidades. Há o dever de respeitar os saberes do educando e os das classes populares. É preciso discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a disciplina cujo conteúdo se ensina, a realidade, a violência, a convivência das pessoas, implicações políticas e ideológicas. O conhecimento da realidade é muito importante. Freire afirma que não há distância entre ingenuidade e criticidade; ao ser curioso, há crítica. Não haveria criatividade sem a curiosidade que nos move e nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentando a ele algo que fazemos. O professor, assim como o aluno, é movido pela curiosidade. Para o autor, o pensar certo, do ponto de vista do professor, implica no respeito ao senso comum existente no educando, durante o processo de sua necessária superação. O respeito e o estímulo à capacidade criadora do educando contribuirão para que ele possa sair da consciência ingênua e passe a ter uma consciência crítica. 1.3 Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos. É preciso estabelecer uma intimidade entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos. Respeitar e utilizar esses saberes. 1.4 Ensinar exige criatividade. A curiosidade é inerente ao processo de ensino-aprendizagem. Não há criatividade sem curiosidade. 1.5 Ensinar exige estética e ética. Se, se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. Educar é formar.
1.6 Ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo. A prática educativa em si deve ser um testemunho rigoroso de decência e de pureza, já que nela há uma característica fundamentalmente humana: o caráter formador. Para isso, o professor deve se utilizar, como diz Freire, da corporeificação das palavras, como exemplo, e ainda destaca a importância de propiciar condições aos educandos, em suas relações uns com os outros ou com o professor, de treinar a experiência de ser uma pessoa social, que pensa, se comunica, tem sonhos, que tem raiva e que ama. Isto despe o educador e permite que se rompa a neutralidade do mesmo. Com esta postura o autor quer dizer que a educação é uma forma de intervenção no mundo, que não é neutra, nem indiferente.
Vc sabe com quem está falando?
1.7 Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação.
Pensar certo é fazer certo, é ter segurança na argumentação é saber discordar do seu oponente sem ser contra ele ou ela, sem qualquer tipo de discriminação. Ao educador, cabe desafiar o educando e produzir sua compreensão do que sendo comunicado. 1.8 Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática. A prática docente crítica envolve o movimento dinâmico e dialético entre o fazer e o pensar sobre o fazer. O “pensar certo” tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador. Na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática (práxis). É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática.
Na prática de não fumar, opto, decido; nesta prática assumo risco e aí se concretiza materialmente!
1.9 Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural. Ao nos assumirmos não estamos excluindo os outros, significa assumir-se como ser histórico e social, pensante, transformador e criador. A questão da identidade cultura é fundamental na prática educativa e tem a ver diretamente com assumir-nos enquanto sujeitos. A construção de um saber junto ao educando depende da importância que o educador dá a parte social, à comunidade à qual ele trabalha para conseguir aproximar os contextos a realidade vivida, compondo assim um dialogo aberto com o aluno. Dado o exposto, Freire simplifica: “não há docência sem discência”.
ir além dele. Esta é a diferença entre o ser condicionado e o ser determinado
2 - Ensinar não é transferir conhecimentos. Ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. 2.1 Ensinar exige consciência do inacabamento. Onde há vida, há inacabamento. Mas só entre homens e mulheres o inacabamento se tornou consciente. A História de qual fazemos parte é um tempo de possibilidades, não de determinismo. 2.2 Ensinar exige o reconhecimento de ser condicionado. Somos seres condicionados, mas conscientes do inacabamento, e, por isso, sabemos que podemos Dito em poucas palavras por Freire: “o que está condicionado, mas não determinado”. Nossa presença no mundo não é a de quem nele se adapta mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da História. Assim como as barreiras são difíceis para o cumprimento de nossa tarefa histórica de mudar o mundo, sabemos também que os obstáculos não são eternos. Assim, homens e mulheres se tornam educáveis na medida em que se reconheceram inacabados. Não foi a educação que fez mulheres e homens educáveis, mas a consciência de sua inconclusão. Passamos assim, a ser sujeitos e não apenas objeto da nossa história, pois não devemos ver situações como fatalidades e sim estímulo para mudá-las. 2.3 Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando. O respeito à autonomia e à dignidade de cada um, é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. Saber que devo respeito a autonomia e a identidade do educando, exige de mim uma prática que seja em tudo coerente com este saber. 2.4 Ensinar exige bom senso. Quanto mais praticamos de forma metódica a nossa capacidade de indagar, duvidar, de aferir, tanto mais eficazmente curiosos podemos nos tornar e com isso o nosso bom senso pode ir se tornando mais crítico. O exercício do bom senso vai superando o que há nele de instintivo por meio da avaliação que fazemos dos fatos e dos acontecimentos em que nos envolvemos. O educador precisa do bom senso em seu trabalho. 2.5 Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores.
A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que faz parte dela. Uma das formas de luta contra o desrespeito dos poderes públicos pela educação, de um lado, é a nossa recusa em transformar nossa atividade docente em puro bico, e de outro, a nossa rejeição a entendê-la e a exercê-la como prática afetiva de “tias e de tios”. 2.6 Ensinar exige apreensão da realidade. A capacidade de aprender, não apenas para nos adaptar, mas sobretudo para transformar a realidade para nela intervir, recriando-a, fala de nossa educabilidade a um nível distinto do nível do adestramento dos outros animais ou do cultivo das plantas. Aprender, para nós, é uma aventura criadora, algo, por isso mesmo, muito mais rico do que meramente repetir a lição dada. Aprender para nós é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito. Portanto é importante que a realidade seja sempre um dado presente no processo ensino-aprendizagem. 2.7 Ensinar exige alegria e esperança. Há uma estreita relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. A esperança faz parte da natureza humana. A esperança de que (juntos) professor e alunos podem aprender, ensinar, produzir, e, juntos igualmente resistir aos obstáculos é a nossa alegria. O ensinar busca a conscientização das pessoas, pois o ser humano que tenha esperança é capaz de mudar realidades. A desesperança é a negação da esperança. A esperança é um condimento indispensável à experiência histórica, sem ela não haveria História, mas puro determinismo. 2.8 Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível. Aqui, Freire, fala da necessidade de não aceitar o determinismo como um modo de explicação das desigualdades no mundo, mas como sujeitos interventores. Não visa a adaptação e sim a intervenção (mudança) na realidade. Como educadores devemos conhecer nossos alunos, não podemos desconsiderar os saberes dos grupos populares e a realidade histórico-político- social vivida por eles, pois todos estão inseridos num ciclo de aprendizagem. A essa atitude, corresponde a expulsão do opressor de dentro do oprimido. Mudar é difícil mas é possível, e a partir disto vamos programar nossa ação político-pedagógica. EX: o que nos traz o conhecimento sobre a realidade dos terremotos. 2.9 Ensinar exige curiosidade. O exercício da curiosidade convoca a imaginação, a intuição, as emoções, a capacidade de conjeturar, de comparar. O fundamental é que professores e alunos saibam que a postura deles (professor e alunos), é dialógica, ou seja, aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto fala ou enquanto ouve. O que importa é que professor e alunos se assumam epistemologicamente1 curiosos. Mas, não podemos esquecer, que a curiosidade, assim como a liberdade deve estar sujeita a limites eticamente assumidos por todos. Minha curiosidade não tem o direito de invadir a privacidade do outro e expô-la aos demais.
3. Ensinar é uma especificidade humana Neste capítulo, Freire mostra a necessidade de segurança, do conhecimento e da generosidade do educador para que tenha autoridade, competência e liberdade na condução de suas aulas. Homens e mulheres são seres programados, mas, programados para aprender. 3.1 Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade. A segurança da autoridade docente implica numa outra, a que se funda na sua competência profissional. Nenhuma autoridade docente se exerce ausente desta competência. O professor que não leve a sério sua formação, que não estude, que não se esforce para estar a altura de sua tarefa não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe; a incompetência profissional desqualifica a autoridade do professor.
Epistemologia:conjunto de conhecimentos que têm por objeto o conhecimento científico, visando a explicar os seus condicionamentos (sejam eles técnicos, históricos, ou sociais, sejam lógicos, matemáticos, ou lingüísticos), sistematizar as suas relações, esclarecer os seus vínculos, e avaliar os seus resultados e aplicações. Dic. Aurélio.
O caráter formador do espaço pedagógico é autenticado pelo clima de respeito existente. Este clima nasce de relações sérias, humildes, generosas, em que a autoridade docente e as liberdades dos alunos se assumem eticamente. O ensino dos conteúdos implica o testemunho ético do professor. É impossível separar o ensino dos conteúdos da formação ética dos educandos, a teoria da prática, a autoridade da liberdade, a ignorância do saber, o respeito ao professor do respeito aos alunos, o ensinar do aprender. Como professor, não me é possível ajudar o educando a superar sua ignorância se não supero permanentemente a minha. Defende a necessidade de se exercer a autoridade com a segurança fundada na competência profissional, junto à generosidade. 3.2 Ensinar exige comprometimento Freire ressalta aqui a importância de aproximar o discurso do desempenho, o discurso teórico à prática pois afinal o professor é o exemplo para os alunos. O docente pode desconhecer algumas coisas mas tem que saber muito sobre seu trabalho, deve estar sempre preparado. Ensinar exige comprometimento, sendo necessário que se aproxime cada vez mais os discursos das ações. Sendo professor, é necessário conhecer o que ocorre no espaço escolar e estar ciente de que a sua presença nesse espaço não passa desapercebida pelos alunos.
3.3 Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no Mundo. A educação jamais é neutra, ela pode implicar tanto o esforço da reprodução da ideologia dominante quanto o seu desmascaramento. Para Freire, a Pedagogia da Autonomia deve estar centrada em experiências estimuladoras da decisão, da responsabilidade, ou seja, em experiência respeitosas da liberdade. Para isso, ao ensinar, o professor deve ter liberdade e autoridade, em que a liberdade deve ser vivida em coerência com a autoridade. O professor como ser político, emotivo, pensante não pode ser imparcial em suas atitudes, deve sempre mostrar o que pensa, apontando diferentes caminhos, evitando conclusões, para que o aluno procure a qual acredita, com suas explicações, se responsabilizando pelas conseqüências e construindo assim sua autonomia. Para que isso ocorra deve haver um balanço entre autoridade e liberdade. Deste modo, destaca-se que somente quem sabe escutar é que aprende a falar com os alunos. Finaliza dizendo que a atividade docente é uma atividade alegre por natureza, mas com uma formação científica séria e com a clareza política dos educadores. Foi somente a percepção de que homens e mulheres são seres “programados, mas para aprender” e conseqüentemente para ensinar, conhecer e intervir, que faz o autor entender a prática educativa como um exercício constante em favor da produção e do desenvolvimento da autonomia de educadores e educandos, não somente transmitindo conteúdos, mas redescobrindo, construindo e ressignificando, ou seja, dando um novo significado a estes conhecimentos, além de transcenderem e participarem de suas realidades históricas, pessoais, sociais e existenciais. Mesmo com todas as dificuldades para se educar, isto é, condições de trabalho,salários baixos, descasos, formas de avaliação, ainda há muitos professores exercendo sua função de maneira eficaz. Com certeza, isso se deve ao que o autor chama de vocação, que significa ter afetividade, gostar do que faz, ter competência para uma determinada função, com isso muita coisa pode ser mudada através da prática educativa.


Resumo: Pedagogia da Autonomia- Paulo Freire


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

EXEMPLO DE HUMILDADE



As fotos acima são geniais porque mostram que um grande homem, tem sempre um grande caráter.
E a humildade é a marca registrada de
grandiosidade de caráter.

Já vi pessoas menos destacadas do que o Presidente dos E.U.A serem muito "deselegantes", 
ao não cumprimentar trabalhadores, ao proferirem palavras de ofensas contra os humildes...
Vi um Pároco por diversas vezes não cumprimentar funcionários que trabalhavam
 à porta da Igreja (reconstruindo-a), restando aos mesmos esta incumbência(educação), chamando assim a atenção do mesmo, que daí em diante passou a cumprimentá-los. Quiçá por vergonha de ter que ser atido por simples empregados...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Perguntas e respostas mais frequentes sobre Fibromialgia:

William Shakespeare

"TODO O MUNDO É CAPAZ DE SUPORTAR UMA DOR, 
COM EXCEPÇÃO DE QUEM A SENTE!"


Sou portadora da Síndrome da Fibromialgia. 
Sofro como milhões de pessoas em todo o mundo, 
sofro de dores e de discriminação. Mas isso vai ter que mudar!
                                                                                         Eliane Kilian

Perguntas e respostas mais frequentes sobre Fibromialgia:

1) O que é Fibromialgia? 

A Fibromialgia é uma síndrome clínica que se manifesta com dor no corpo todo, 
principalmente na musculatura. Comumente a fibromialgia cursa com sintomas de fadiga,
 intolerância ao exercício e sono não repousante (isto é, a pessoa acorda cansada.
Nós, médicos, chamamos a fibromialgia de uma síndrome, pois ela é caracterizada 
por um grupo de sintomas sem que seja identificada uma causa única para eles. 

2) O que causa a Fibromialgia? 

Não existe ainda uma causa única conhecida para a fibromialgia,
 mas já temos algumas pistas porque as pessoas têm esta síndrome. 
Os estudos mais recentes mostram que os pacientes com fibromialgia apresentam 
uma sensibilidade maior à dor do que pessoas sem fibromialgia. Isto não é relacionado
 com o fato de se ser "forte" ou "fraco" para dor. Na verdade, seria como
 se o cérebro das pessoas com fibromialgia estivesse 
com um "termostato" desregulado,
 que ativasse todo o sistema nervoso para fazer a pessoa sentir mais dor. 
Desta maneira, nervos, medula e cérebro estariam fazendo que qualquer estímulo doloroso
seja aumentado de intensidade. Uma parte do corpo que estamos sempre machucando 
no nosso dia-a-dia é a musculatura. Em pessoas sem fibromialgia, estes pequenos 
traumas, distensões e tensões passam despercebidos. Na pessoa com fibromialgia
 as dores vindas destas lesões são amplificadas, e começa o grande "círculo vicioso" 
dentro do músculo: a musculatura fica dolorida e contrai (tensiona) 
e esta tensão leva a mais dor, 
que tensiona mais o músculo, e assim por diante. A pessoa começa a não dormir bem
(vide adiante) e não se exercitar, o que piora a dor muscular, mantendo o ciclo. 
Sintomas de depressão e ansiedade também podem piorar o quadro.
A fibromialgia pode aparecer depois de eventos graves na vida de uma pessoa,
 como um trauma físico, psicológico ou mesmo uma infecção grave. 
O mais comum é que o quadro comece com uma dor localizada crônica, 
que progride 
para envolver todo o corpo. O motivo pelo qual algumas pessoas desenvolvem fibromialgia 
e outras não ainda é desconhecido.

3) A minha dor é real ou está só na minha cabeça? 

A dor da fibromialgia é real. Vários estudos experimentais avançados, que mostram
 o cérebro funcionando, mostram que os pacientes com fibromialgia estão sentindo dor e, 
além disso, que sentem mais dor do que pessoas sem fibromialgia. Também foram feitos estudos com o líquido que banha a medula e o cérebro (líquor) e foi visto que as substâncias que levam a sensação de dor para
o cérebro estão de três a quatro vezes aumentadas em pacientes com fibromialgia, 
em comparação com pessoas sem o problema.Tanto pacientes quanto médicos 
parecem entender melhor as causas 
de dor quando existe uma inflamação, um machucado, um tumor, que estão ali, visíveis, 
causando a dor. Na fibromialgia é diferente; se tirarmos um pedaço do músculo que está
 doendo e olharmos no microscópio, não encontraremos nada - porque o problema está
 somente na percepção da dor. 

4) Existem muitos casos iguais ao meu? 

Sim, existem. A fibromialgia é um problema comum, visto em pelo menos 5% dos pacientes
 que vão a um consultório de Clínica Médica e em 10 a 15% dos pacientes 
que vão a um consultório de Reumatologia. 

5) A fibromialgia é uma doença nova? 

Não. A fibromialgia já é conhecida há mais de 100 anos, mas se davam nomes diferentes
 para ela e não havia um consenso de como fazer o diagnóstico da doença. O nome mais 
comum que se usava era "fibrosite" . Em 1990, foram criados o que chamamos de "critérios de diagnóstico" para a fibromialgia. O termo fibrosite foi abandonado, pois "ite" indica inflamação e não existe inflamação na fibromialgia. A partir de então, o problema pôde ser mais bem estudado, o conhecimento sobre a fibromialgia cresceu, e mais e mais médicos começaram a fazer o diagnóstico de fibromialgia, o que fez aumentar o número de casos. 

6) Como o médico sabe que eu tenho fibromialgia e não outro problema? 

O diagnóstico da fibromialgia é clínico, isto é, não se necessitam 
de exames para comprovar 
que ela está presente. Se o médico fizer uma boa entrevista clínica, pode fazer
 o diagnóstico de fibromialgia na primeira consulta 
e descartar outros problemas. O melhor profissional para avaliar o paciente c
om fibromialgia é o reumatologista, pois ele é treinado para fazer o diagnóstico das
 doenças que acometem os músculos e as articulações, não deixando 
passar doenças que possam ser confundidas com fibromialgia.
O médico irá utilizar os critérios de diagnóstico da fibromialgia, que são: a) dor por
 mais de três meses em todo o corpo e b) presença de pontos dolorosos na musculatura 
(11 pontos, de 18 que estão pré-estabelecidos). Provavelmente o médico pedirá alguns
 exames de sangue, não para comprovar a fibromialgia, mas para afastar outros 
problemas que possam simular a fibromialgia, como hipotireoidismo, diabetes, entre outros. 

7) A fibromialgia é um tipo de reumatismo? 

Esta é uma pergunta interessante, pois não existe um consenso do que seja um 
"reumatismo", e cada pessoa tem uma idéia diferente quando pensa neste termo. 
Se considerarmos reumatismo toda doença estudada pelo reumatologista então sim, 
a fibromialgia é um tipo de reumatismo. Nós a classificamos dentro do grupo de "reumatismo 
de partes moles", isto é, que não afeta as articulações. Vale a pena salientar que a fibromialgia
 NÃO é uma doença que afeta as articulações, e que NÃO existe o risco de deformidades 
ou perda de movimentos dos membros. 

8) Por que eu demorei em saber que tenho fibromialgia? 

Muitas vezes, o diagnóstico de fibromialgia não está claro na primeira vez que o paciente 
vai ao médico. Outras vezes, o médico não está familiarizado com o diagnóstico de fibromialgia, 
e acaba fazendo outro diagnóstico. Felizmente, graças a programas de educação médica continuada, i
sto vem acontecendo cada vez menos. 

9) A fibromialgia afeta mais mulheres do que homens? 

Sim. De cada 10 pacientes com fibromialgia, 9 são mulheres. Não se sabe a razão
 porque isto acontece. Não parece haver uma relação com hormônios, pois
 a fibromialgia afeta as mulheres tanto antes quanto depois da menopausa. A
 idade de aparecimento da fibromialgia é geralmente entre 30 e 60 anos. Porém, existem casos em pessoas mais velhas, crianças e adolescentes. 

10) Por que eu acordo tão cansado, como se não tivesse dormido nada? 

A alteração do sono na fibromialgia é freqüente, afetando quase 95% dos pacientes. 
No início da década de 80 descobriu-se que pacientes com fibromialgia apresentam um 
defeito típico no sono - uma dificuldade de manter um sono profundo. O sono tende
 a ser superficial e/ou interrompido. Com o sono profundo interrompido, a qualidade 
de sono cai muito e a pessoa acorda cansada, mesmo que tenha dormido 
por um longo tempo. Isto aumenta a fadiga, a contração muscular e a dor.
Por algum tempo, pensou-se que a alteração de sono era o que causava a fibromialgia.
 Hoje sabemos que este problema é conseqüência da dor, e não sua causa.
 De qualquer maneira, 
é algo que deve ser avaliado e tratado. Outros problemas no sono afetam os pacientes 
com fibromialgia. Alguns referem um desconforto grande nas pernas ao deitar na cama, 
com necessidade de esticá-las, mexê-las ou sair andando para aliviar este desconforto.
 Este problema é chamado Síndrome das Pernas Inquietas e possui tratamento específico.
 Outros apresentam a Síndrome da Apnéia do Sono, e param de respirar 
durante a noite. Isto também causa uma queda na qualidade do sono. 

11) Como a depressão ou o nervosismo estão relacionados com a fibromialgia? 

A depressão está presente em 50% dos pacientes com fibromialgia. Isto quer dizer 
duas coisas: 1) a depressão é comum nestes pacientes e 2) nem todo paciente 
com fibromialgia tem depressão. Isto é importante, pois por muito tempo
 pensou-se que a fibromialgia era uma "depressão mascarada". Hoje, sabemos
 que a dor da fibromialgia é real, e não se deve pensar que o paciente está "somatizando", 
isto é, manifestando um problema psicológico através da dor.
Por outro lado, não se pode deixar a depressão de lado ao avaliar-se um paciente com FM. 
A depressão, por si só, piora o sono, aumenta a fadiga, diminui a disposição 
para o exercício e aumenta a sensibilidade do corpo. Ela deve ser detectada e
 devidamente tratada, se estiver presente. Muitos pacientes pensam que o 
0tratamento da dor crônica melhorará a depressão, já outros pensam que o tratamento da 
depressão melhorará a dor. Não se deve perder tempo em questionar quem 
chegou primeiro; t
anto a dor quanto a depressão devem ser tratadas de maneira independente, e o tratamento de ambas trará benefícios para o paciente. 

12) Todas as dores que eu tenho são da fibromialgia? 

Não. Ter fibromialgia não livra a pessoa de ter outros problemas do sistema musculoesquelético,
 como bursite, tendinites, artrites. O médico saberá separar as coisas e tratar cada problema de
 maneira apropriada. Por outro lado, várias dores que a pessoa pense que são outros problemas
 podem ser só manifestações da FM. A musculatura é o sistema mais dolorido na fibromialgia,
 mas já existe evidência que vários outros pontos do corpo apresentam 
sensibilidade aumentada. 
Por exemplo, o intestino; o paciente pode ter dores abdominais, 
diarréias alternadas
 com períodos de constipação intestinal, caracterizando a Síndrome do Intestino Irritável. 
Da mesma maneira, a bexiga pode ficar mais sensível, com a pessoa desenvolvendo a necessidade de urinar várias vezes por dia; é a Síndrome da Discinesia do Detrussor, ou bexiga irritável. 

13) Existe cura para a fibromialgia ? 

Infelizmente, ainda não. Porém, com o tratamento atual da FM é possível a pessoa experimentar ficar sem dor ou com a dor a um nível muito baixo. Os outros sintomas como a fadiga, a alteração do sono e a depressão também podem ser tratadas adequadamente. Mais do que em outros problemas, o tratamento da fibromialgia depende muito do paciente. O médico deve atuar mais como um guia do que somente uma pessoa que fornece remédios. É muito importante que a pessoa com fibromialgia entenda que a atividade física regular terá que ser mantida para o resto da vida, pelo risco de a FM voltar se esta atividade for interrompida. 

14) Como a fibromialgia é tratada? 

O tratamento da fibromialgia divide-se em quatro pontos principais: 

a) Exercícios: este é o ponto mais importante do tratamento. Costumo dizer que a pessoa 
com fibromialgia não se pode dar o luxo de não se exercitar. A atividade física regular é o único tratamento capaz de restaurar a pessoa para uma vida normal. Todos os outros passos do tratamento devem ter somente um objetivo: deixar a pessoa mais disposta para fazer atividade física. A atividade física deve ser realizada todos os dias, de
 duas maneiras: um exercício que mexa todo o corpo (aeróbico), como caminhar, nadar, correr ou praticar 
hidroginástica e exercícios que promovam o alongamento muscular. 
Os exercícios devem ser iniciados lentamente, e só depois de algum tempo é 
que se deve chegar ao tempo total: trinta minutos por dia. 
Mesmo depois que
 o paciente chegue a este nível de exercícios, pode haver uma demora de até um ano 
para que os benefícios comecem a aparecer. Por isso, quanto mais cedo se começar
 a atividade física, melhor. 

b) Tratamento do sono: o objetivo é melhorar a qualidade do sono, não a sua quantidade. 
O paciente terá que acordar mais descansado do que quando foi dormir. Para isso,
 utilizamos remédios específicos para cada caso. Os remédios mais utilizados 
são os antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina. Geralmente são usados
 não em uma dose para a depressão, mas pequenas doses, próprias para o sono.
 A vantagem desta medicação é que ela não causa dependência física. Outra 
medicação usada é a ciclobenzaprina, que é um relaxante muscular. 
Ela já foi estudada na fibromialgia,
 e apresenta bons efeitos no sono, na dor e na fadiga. Outras medicações 
são utilizadas em casos de problemas específicos, como na Síndrome das Pernas Inquietas. 
Em casos de dúvida um estudo do sono (polissonografia) pode ser pedido. 

c) Tratamento da dor: embora não exista um analgésico que tire toda a dor em um paciente 
com FM, este é um item importante no tratamento, pois o paciente deve ter a sua dor reduzida 
a um ponto que permita o início da atividade física. Este ponto tem sido mais 
valorizado desde que se descobriu que a dor dos pacientes é real. O tratamento deve ser 
iniciado com analgésicos leves, como o paracetamol e a dipirona, e outros 
analgésicos mais fortes podem ser usados se necessário. É muito comum q
ue os pacientes esperem até o último minuto para tomarem analgésicos, quando a dor 
está "insuportável". Isto leva à piora da dor, pois a dor mal controlada leva à contração 
muscular, que leva a mais dor. A fibromialgia é um estado de dor crônica, 
e a dor deve ser tratada cronicamente, isto é, tomando-se analgésicos em horários 
pré-determinados. Em alguns pacientes, são encontrados na musculatura pontos 
de intensa contração muscular, semelhantes a pequenos caroços: 
são os "pontos-gatilho". 
Estes pontos são focos de dor, e pioram o quadro geral, Quando exercícios 
de alongamento não os resolvem, o médico pode lançar mão de técnicas de injeção 
de anestésico local nestes pontos, que geralmente são bastante efetivas. 

d) Controle da ansiedade/depressão: como foi dito anteriormente, 
não se deve 
perder tempo pensando se as manifestações de alterações do humor, desânimo e tristeza 
são a causa ou a conseqüência da FM. Se estes sintomas estão presentes, devem 
ser tratados adequadamente. Na maioria das vezes, o reumatologista pode
 prescrever ansiolíticos ou antidepressivos para o paciente com FM; se o caso
 for grave, o paciente pode ser encaminhado para um psiquiatra. Existem 
técnicas psicológicas, como a terapia cognitivo-comportamental, que têm 
sido estudadas na fibromialgia, com bons resultados. São técnicas de manejo 
de estresse e de como lidar com as limitações que a fibromialgia traz à vida das pessoas. 
Estas técnicas podem ser usadas em pacientes com ou sem depressão. 

15) Todos os médicos falam que eu devo fazer exercícios para melhorar da fibromialgia, mas eu não consigo, pois o pouco que eu faço já me causa muita dor no corpo. 

Isto é uma situação muito comum, principalmente no início da atividade física. 
É importante que o exercício seja iniciado de maneira lenta e gradualmente aumentado. 
Por exemplo, se a pessoa não está acostumada a fazer caminhadas, 
deve começar com 5 minutos por dia, e ir aumentando o tempo em 5 minutos toda
 a semana, até chegar a 30 minutos por dia. Não se deve ter pressa. 
Da mesma maneira, pessoas que faziam exercício e desenvolveram fibromialgia 
devem se acostumar com a idéia de que irá demorar um bom tempo 
até o retorno da capacidade física que tinham antes de desenvolver FM.
A dor ao realizar-se atividade física pode também ser minimizada com o uso 
de analgésicos antes de se iniciar o exercício. Não se deve ter medo que o 
nalgésico irá mascarar alguma lesão ou piorar a situação. Pelo contrário,
 o uso de analgésicos irá permitir um melhor aproveitamento do momento de exercício. 

16) Por que mesmo sem ter feito esforço, e estando fazendo o tratamento, meu corpo volta a doer? 

Muitas vezes, apesar de tudo parecer bem, o corpo volta a doer - chamamos 
isto de "crise" da fibromialgia. Não se sabe o motivo porque isto acontece.
 Porém, algumas vezes a pessoa pode ter feito um esforço desnecessário sem
 perceber. Pacientes com FM, no dia em que se sentem melhor, muitas vezes
 querem "recuperar o tempo perdido" e passam a fazer tudo o que não fizeram 
na última semana, por exemplo. Isto leva a uma volta da dor. Da mesma maneira, 
atividades de repetição, como lavar e passar roupa, podem desencadear uma crise. 
Para evitar as crises é preciso dividir as tarefas de casa e do trabalho e fazer 
um pouco a cada dia, mesmo nos dias em que tudo está bem. 
Também é importante mudar o tipo de tarefa que se está fazendo, 
para sempre modificar o grupo de músculos que está sendo usado. 
Por exemplo, passar parte da roupa e depois ir dobrá-la, varrer somente 
um cômodo e arrumar as gavetas antes de passar para outro cômodo, etc... A
s crises da fibromialgia podem melhorar bastante com medidas simples, 
como repouso e um banho quente. O médico deve ser consultado para checar 
a necessidade de aumento ou mudança da medicação. 

17) Por que eu tomo analgésicos e eles não funcionam? 

Infelizmente, o alívio com os analgésicos comuns não é total na fibromialgia. 
Isto acontece pois ainda não dispomos de medicações que ajam na sensibilidade 
aumentada do corpo em relação à dor. Os analgésicos agem bem em dores com causa conhecida, 
mas menos nas situações em que o próprio corpo amplifica a dor. 
Isto não significa que os analgésicos não estejam funcionando; 
muitas vezes, quando se retira o analgésico é que se nota o quanto ele estava sendo útil. 

18) Existem outros tratamentos que podem ajudar? 

Vários tipos de tratamento já foram testados para a fibromialgia, 
e muitos deles não ajudaram. Porém, com o melhor entendimento do problema, 
novas medicações são esperadas em breve. 
A acupuntura é um método que pode ajudar em casos de dor localizada e resistente,
 e é recomendada com certa freqüência. Porém, deve se ter em mente 
que a acupuntura funciona somente enquanto o paciente 
está sob tratamento, e não tem um efeito duradouro. 
Recentemente, injeções endovenosas de lidocaína foram usadas em casos refratários, 

com resultados iniciais encorajadores. 

Eduardo S. Paiva
Reumatologista
Chefe do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPR, Curitiba